| BANDA DESENHADA |
ILUSTRAÇÃO | MENU PROSA | POEMAS | ONDE ESTAMOS |
DA ACAMPADA DE LISBOA E DO QUE LÁ VI
DUAS
ACAMPADAS DIFERENTES
A Acampada de Madrid tem
no seu manifesto o objectivo de repensar o sistema político
e económico actual. Reformular a participação
directa, reforçar a cidadania,
etc..
São
propostas ABRANGENTES
: apelam a um grande
número de pessoas, sem exclusividade
de temas ou abordagens práticas.
ARROJADAS:
reformar o sistema democrático é pôr em causa o
sistema
parlamentar, a
partidocracia, a forma de organização da
participação cívica, retirar o
monopólio da reflexão e acção
política aos partidos organizados, tidos como
corruptos coniventes com a situação económica de
crise e exploração actuais.
AGREGADORAS:
convocam um elevado
número de pessoas, sem exclusão.
Ora
a Acampada de Lisboa não persegue os mesmos objectivos da
Acampada de Madrid.
O
manifesto da Acampada de Lisboa centra-se apenas na dívida e na
troika do FMI.
Ou seja, interessa-se apenas pela negação da
dívida e pela rejeição do FMI.
Estas
não são propostas abrangentes, arrojadas ou agregadoras.
Antes
pelo contrário.
As propostas da Acampada de Lisboa são:
PARTIDARIZADAS: os
membros da
mesa estão comprometidos com agendas partidárias.
REDUTORAS: atendem apenas ao
aspecto economicista da situação.
ENTRAVES À
ACÇÃO: impedem a reflexão alargada sobre o
sistema parlamentar e a forma
como a democracia se organiza e sustenta.
Ora
são Acampadas diferentes com objectivos diferentes. Comparar a
acampada de Lisboa
à Acampada de Madrid é um delírio, uma
apropriação enganadora ou um insulto a esta última.

Estive lá dias
atrás. Fui contribuir com uma publicação
independente, apartidária,
a Peste. Sei que este exemplo foi seguido depois por outras
publicações ligadas directamente
a partidos ou sindicatos.
Espero
que os leitores saibam compreender a diferença – a Peste
não foi à Acampada
para promover uma politica, foi lá para proporcionar leitura
contra o tédio das
horas de ócio dos acampados, para divertir das pesadas
tarefas da
organização.
Assisti ao debate da assembleia e notei que aquilo não era uma assembleia popular coisa nenhuma.
Era uma Reunião Geral de Alunos da Universidade Nova de Lisboa, Faculdade de Ciências Sociais e Humanas, a FCSH...
MILITANTES PARTIDÁRIOS A DIRIGIR A RGA NO ROSSIO
Como deduzi isto?
Vi
o excessivo cuidado e atenção aos temas processuais
burocráticos (lembro que se
perdeu pelo menos meia hora a discutir uma letra do manifesto ( o x da
questão
) relativo a semântica de género.
Vi
as mesmas caras que, no passado, representavam os partidos
políticos PCP e BE
nas Associações de Estudantes da FCSH/UNL.
Notei que quem
organizava a acampada, quem debatia na
assembleia, eram
os mesmos militantes partidários
que organizavam as RGAs e depois concorriam à
Associação de Estudantes no
sentido de permitir aos partidos o controle da população
académica (a Academia
é em boa verdade um importante local de recrutamento dos
militantes, agitadores
e funcionários dos partidos).
Estes
antigos colegas da FCSH estavam lá na
posição de
controleiros de outros indivíduos
– falavam pouco e olhavam muito, como verificando se eles
debitavam
correctamente a argumentação partidária.
Já não
davam a cara –
vigiavam. Deduzi que tinham sido promovidos dentro do partido para
posições de
organização. Ignoro se ainda são estudantes.
Oh, tive saudades então doutras caras daquele tempo… Onde estariam o Noronha, o Sales, tant@s outr@s ? Ter-se-iam libertado das amarras partidárias?
Das mesmas amarras que prendem a iniciativa da Acampada de Lisboa?
Dos mesmos coletes de
força mentais?
Mais tarde assisti a uma situação aterradora, que demonstrou que a Acampada tinha sido definitivamente infiltrada pelos militantes partidários.
Três moças,
que estavam
sentadas num pequeno grupo como moderadoras do debate separado e
exclusivo
que nele ocorria, foram abordadas por
outra jovem que, por diversas razões que afirmou, objectou a
obsessão do
manifesto pelo FMI e dívida, bem como o modo com este havia sido
votado sem consenso.
Resumindo,
argumentou que o manifesto era partidarizado e redutor, que servia a
uma agenda
partidária. As três jovens argumentaram uma a seguir
à outra revezando-se, mas
mantendo o mesmo discurso.
Eu, que apenas observava, já percebera que as três jovens pertenciam ao mesmo partido e estavam ali a defender programas eleitorais. Mas eu não tinha a certeza de serem de facto militantes, pois elas evitavam esta questão. Então olhei em redor e eis enfim a confirmação da minha suspeita, elas seriam militantes dum partido de esquerda, o PCP, porque estavam a ser atentamente vigiadas pelo controleiro que esse, sim, eu podia confirmar que era militante, pois fora meu colega na FCSH anos atrás.
Os que estão nesta Acampada e distribuem discursos-manifestos-partidários devem identificar essa diferença quando intervêm em uma assembleia que se afirma APARTIDÁRIA e que se reclama INDEPENDENTE!
E JÁ AGORA: FAZ FALTA TAMBÉM UMA NOVA ESTÉTICA E UMA NOVA IMAGEM
QUE ESTA JÁ É DO SÉCULO PASSADO!

Anedota curiosa sobre o BE e O PCP na FCSH
Na FCSH dominavam estes dois partidos e competiam pela AE. Ora se coligavam, ora concorriam separados. Certa vez decidiram concorrer separados, desavindos por moléstias entre eles. E sucedeu o azar! Pela primeira vez na história política da AE da FCSH ganhou uma lista 100% PSD! Foi de maneira que aprenderam a unir-se por temas importantes em vez de se dividirem por factos irrisórios.
O
LINK ABAIXO É ISENTO DE VÍRUS