BANDA
DESENHADA
ILUSTRAÇÃO PROSA POEMAS ONDE
ESTAMOS

 é uma publicação apolítica, areligiosa e sobretudo amoral.

Destina-se aos que sabem ler e aos que não sabem, e por isso tem bonecos - assim nunca dirão dela que é elitista, entre outras
coisas.


A Peste não usa preservativo nas palavras e não bebe água engarrafada: faz promessas apenas ao Pai Natal, honra o descanso
 do domingo de manhã e ao 25 de Abril prefere comemorar o Carnaval e o Santo António. À galinha dos ovos de ouro prefere
 a pata dos ovos de ouro que os tem maiores. Recusa sentimentos normalizados e desconhece emoções pasteurizadas; foge de
 ambientes pressurizados, rejeita pessoas formatadas e opiniões estilizadas - por isto tudo, e mais, é a única revista
 verdadeiramente egocêntrica.


Concordamos em que a guerra é o motor da História, que a mesma água não produz electricidade duas vezes na mesma
 barragem e que para meio entendedor boa palavra basta - assim a Peste não usa abreviaturas, aborrece os eufemismos e
 escreve sempre por extenso.


A Peste chegou para virar o bico ao martelo: pretende assinalar as qualidades da sobriedade, pôr as capelinhas a arder e
 advertir a avestruz que enterra a cabeça na areia que nada obsta a que lhe enterrem também o corpo por inteiro, tudo isto
 com um tumulto de gargalhadas crepitantes, pois que A Peste, que nunca foi escuteira, prefere falar a escutar. Entretanto
 também conhece que se a maioria dos alunos universitários não usasse cábulas intensivamente, a percentagem de chumbos
 seria incomportável para um país europeu e humilhante para os políticos. Sabemos também que a muitos só não lhes estala o
 verniz porque não o usam e que a outros nunca se lhes descobre a careca porque usam um capachinho colado com cola super
 forte.


Concordamos em que o Wonderbra é a maior fraude do século XX e que a Lei Seca devia ser a mais aborrecida de todas: por
 isso o Al Capone andava sempre mal disposto, e não porque o Prozac não existia, como amiúde nos querem fazer acreditar.
 Por outro lado também lembramos que a máquina que produz o Viagra é a verdadeira tecnologia de ponta.

Filosoficamente somos pela complexidade da teoria dos contrários, economicamente somos pelo toma lá dá cá e politicamente,
 como já se referiu, não somos.


Sobre Portugal e o seu povo, uma ideia apenas, sóbria e concisa: os Navegadores Portugueses conseguiram chegar às Índias
 apenas porque, quando se rasgavam as velas das caravelas, despiam as camisas, rasgavam-nas minuciosamente e com elas
 cosiam os buracos. Assim se concretizou o arrojo do povo português e se sedimentou a sua atitude desenrascada. Sobre a sua
 proverbial paciência também uma palavra , que é uma advertência a quem dela abusa: a paciência acaba!




Eduardo d´Orey    2001                                                                                                    



                                                                                                                                             








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Escavaco: A biografia do homem que veio   _______ ( pensem o que quiserem ) Portugal!



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CAPA E CONTRACAPA PESTE 6
Arte:  Claudino Monteiro